terça-feira, 18 de março de 2008


GRANDE OTELO






Sebastião Bernardes de Sousa Prata era o nome verdadeiro de Grande Otelo, um grande ator com uma vida marcada pela superação de tragédias. Seu pai morreu esfaqueado e sua mãe era uma cozinheira que não largava o copo de cachaça. Sebastião fugiu com uma Companhia de teatro mambembe que passava por Uberlândia e foi adotado pela diretora do grupo, Abigail Parecis, que o levou para São Paulo.
Mas ele fugiu de novo e, após várias entradas e saídas do Juizado de Menores, foi adotado pela família de Antonio de Queiroz, um político influente. A mulher de Queiroz, Dona Eugênia, tinha ido ao Juizado para conseguir uma ajudante na cozinha. Mas foi convencida a levar para casa o menino que sabia declamar, dançar e fazer graça.Sebastião estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus, onde cursou até a terceira série ginasial.Nos anos 20, integrou a Companhia Negra de Revistas, cujo maestro era Pixinguinha. Em 1932, entrou para a Companhia Jardel Jércolis, pai de Jardel Filho e um dos pioneiros do teatro de revista. Ganhou o apelido de pequeno Otelo, mas ele preferiu "The Great Otelo". Depois traduziu para o português, virando o Grande Otelo.O ator passou pelos palcos dos cassinos, dos grandes shows e do teatro. Trabalhou no cinema em "Futebol e Família" (1939) e "Laranja da China" (1940), e em 1943 fez seu primeiro filme pela Atlântida: "Moleque Tião". Junto com Oscarito, participou de mais de dez chanchadas como "Carnaval no Fogo", "Aviso aos Navegantes" e "Matar ou Correr". Em 1942, participou de "It's all true", filme realizado por Orson Welles no Brasil.Outra tragédia viria a abalar a vida de Otelo nessa época: sua mulher matou o filho do casal, de seis anos de idade antes de se suicidar.Em 1969, fez "Macunaíma", sendo inesquecível a cena de seu nascimento. Como ator dramático, marcou presença em vários filmes, dentre os quais "Lúcio Flávio - Passageiro da Agonia" e 'Rio, Zona Norte". Em "Fitzcarraldo" (1982), do alemão Werner Herzog, filmado na selva do Peru, Otelo precisava fazer uma cena em inglês, mas resolveu falar espanhol. Quando o filme estreou na Alemanha, aquela foi a única cena aplaudida pelo público.Em 1993, Grande Otelo morreu de enfarte ao desembarcar na França, onde receberia uma homenagem no Festival de Nantes.

sábado, 15 de março de 2008

OSCARITO & GRANDE OTELO.


TALENTO PRECOCE
Oscarito (Oscar Lorenzo Jacinto de la Inmaculada Concepción Teresa Díaz) nasceu em 16 de agosto de 1906, véspera de uma estréia do "Grande Circo do Teatro Coliseu dos Recreios de Lisboa", em Málaga - Espanha, e chegou ao Brasil com um ano de idade. Costumava dizer que poderia ter sido marroquino, pois o circo em que seus pais trabalhavam como trapezistas (pai alemão, mãe espanhola) ali estava em turnê alguns dias antes. A família tem 400 anos de tradição circense e Oscarito tinha tinha parentes italianos, franceses, ingleses, espanhóis e dinamarqueses. Aos 5 anos pisou o palco pela primeira vez, fazendo papel de índio na montagem de "O Guarani", de José de Alencar.
A FAMA
Oscarito começou fazendo acrobacias no circo, ao lado de sua mãe Clotilde e de sua irmã mais nova, Lili e trabalhou também como palhaço, trapezista, acrobata, galã e era um excelente violinista.Tocou em salas de projeção nos tempos do cinema mudo.
Em 1932, Alfredo Breda, empresário que atuava na Praça Tiradentes, o convidou para - no Circo Democrata - imitar Getúlio Vargas, na revista "Calma, Gegê", uma sátira ao presidente Getúlio Vargas.Antenado com o gosto popular, Getúlio costumava assistir as peças em que era imitado e convidou Oscarito para almoçar num ano novo, no Palácio Rio Negro, em Petrópolis, residência de verão da Presidência da República.Estes almoços se repetiram muitas vezes, para comemorar cada 1º de janeiro.
FAMÍLIA FELIZ
Em 1934, antes de viajar para uma temporada em Portugal, casou-se com a atriz Margot Louro, jovem atriz muito bela, que vinha de uma família também circense (Circo Democrata na Praça da Bandeira, Rio de Janeiro). Da união feliz nasceram Mirian Teresa (atriz) e José Carlos, baterista. Artista completo, trabalhou em circo, teatro, rádio e cinema.A estréia no cinema foi em "A Voz do Carnaval", de 1933, e no elenco, estava Carmen Miranda.
NÍVEL INTERNACIONAL
A partir de "Noites Cariocas", de 1935, ligou-se ao parceiro Grande Otelo, com quem fez dupla em 34 filmes da Atlântida, entre 1944 e 1962.Bob Hope, humorista americano, encantado com a imitação de Rita Hayworth no papel de Gilda em "Este Mundo é um Pandeiro" (1947), convidou o ator para filmar nos Estados Unidos. Oscarito, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, confirmou as propostas para trabalhar na Europa ou em Hollywood e revelou: "Sempre recusei, porque me sentia bem no Brasil e era bem aceito pela população". E continuou: "Quando solicitei o decreto de naturalização que me deram em 1949, já era 100% brasileiro".Nos anos 50, auge da fama, campeão de bilheteria, fazia três trabalhos por ano, incluindo paródias de filmes de Hollywood, como "Matar ou Correr", de Carlos Manga, em cima do bangue-bangue "Matar ou Morrer", de Fred Zinnemann. Com 45 filmes, fenômeno de bilheteria era o comediante mais popular da época.
DIAS FINAIS
"Temente a Deus e ao imposto de Renda", levava uma vida certinha e sem vícios, ao lado da esposa, filhos e netos.Num final de semana, enquanto arrumava malas para passar um final de semana em seu sítio de Ibicuí (RJ), Oscarito passou mal: as pernas ficaram dormentes e ele desmaiou. Um derrame cerebral, que o deixou em coma, causou a morte dez dias depois, em 4 de agosto de 1970.Prevendo o final da carreira, preferiu se retirar para o sítio e declarou numa entrevista: "Qualquer dia vão me demolir como um prédio velho. Melhor cuidar das galinhas e dos repolhos".Engano completo, Oscarito, você continua mais vivo do que nunca.Nestes tempos de cinismo e impunidade, em que a cultura é tratada com desprezo em benefício de outros valores, seu jeito inocente faz a grande diferença entre o que éramos e no que, infelizmente, nos transformamos.

ZÉ TRINDADE


Nome Completo:
Milton da Silva Biftencourt
Natural de: Salvador, BA, Brasil
Nascimento: 18 de março de 1915
Humorista e poeta. Milton da Silva Bittencourt nasceu em Salvador no dia 18 de abril de 1915. Sua infância não foi das melhores. O pai, um boêmio deserdado por abastada família porque casara com uma moça pobre de apenas 13 anos, morreu cedo, vítima de tuberculose. Sozinha, Esther, quase uma menina, passou grandes dificuldades para sustentar o filho. Nessa época o garoto Milton passou fome em Salvador. Foi quando arranjou emprego no melhor hotel da cidade. Começou a trabalhar aos 11 anos de idade como office-boy e ascensorista de um hotel em Salvador. Com 13 anos, já frequentava cabarés e tinha amantes. No hotel, contando piadas, fazendo trovas num grupo em que pontificavam Dorival Caymmi e Jorge Amado, o baiano Milton da Silva Bittencourt acabou ganhando um programa de rádio e tendo de trocar de nome para não chocar os conservadores da família com seu humor. Conseguiu que Antônio Maltez (parceiro de Dorival Caymmi), musicasse um de seus poemas e passou a frequentar a Rádio Sociedade da Bahia. Convidado para dirigir o programa Teatro pelos Ares (cópia do apresentado pela Rádio Mayrink Veiga), acabou substituindo um ator cômico e adotando o nome artístico de Zé Trindade, para não constranger a família. Ídolo popular na Bahia, ele decidiu migrar para o Sul em 1945 e o sucesso nacional não tardou.
Foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Rio de Janeiro. O humorista Chico Anísio lembrou que Zé Trindade foi “o único comediante que conseguiu nos anos 50 e 60, competir com Brandão Filho nos programas de rádio e o único que conseguiu competir e até vencer Oscarito no cinema”.

MAZZAROPI

Mazzaropi - Conte minha verdadeira história, a história de um cara que sempre acreditou no cinema nacional e que, mas cedo do que todos pensam, pode construir a indústria do cinema no Brasil. A história de um ator bom ou mau que sempre manteve cheios os cinemas. Que nunca dependeu do INC - Instituto Nacional do Cinema - para fazer um filme. Que nunca recebeu uma crítica construtiva da crítica cinematográfica especializada - crítica que se diz intelectual. Crítica que aplaude um cinema cheio de símbolos, enrolado, complicado, pretensioso, mas sem público. A história de um cara que pensa em fazer cinema apenas para divertir o público, por acreditar que cinema é diversão, e seus filmes nunca pretenderam mais do que isso. Enfim, a história de um cara que nunca deixou a peteca cair.
Em 1946 assinava um contrato na Rádio Tupi - onde fiquei oito anos. Em 1950 ia para o Rio de Janeiro inaugurar o canal 6, e começava minha vida na televisão (2). Um dia, num bar que havia pegado ao Teatro Brasileiro de Comédia, entrou Abílio Pereira de Almeida. A televisão estava ligada, o programa era o meu. Ele me viu. Uma semana depois, uma série de testes me aprovava para fazer o meu primeiro filme: "Sai da Frente". Meu primeiro salário no cinema - 15 contos por mês. No segundo já ganhava 30, depois 300, hoje eu produzo meus próprios filmes. E o público, como no meu tempo de circo, vai ver um Mazzaropi que faz rir e chorar. Um Mazzaropi que não muda.

CARMEM MIRANDA

Maria do Carmo Miranda da Cunha não era brasileira, como muitos pensam. Nasceu em 9 de fevereiro de 1909 na freguesia de Marco de Canavezes, Província de Beira-Alta, Portugal. Veio para o Brasil ainda muito pequena, com apenas 10 meses de idade e foi criada bem no meio da boêmia carioca. Adorava cantar e isso lhe custou o emprego como vendedora de gravatas. O dono do estabelecimento a despediu por distrair os colegas que paravam de trabalhar para ouvi-la.
Sua estréia nos palcos cariocas foi um sucesso. Josué de Barros, compositor conhecido da época, quando a viu, percebeu seu potencial e resolveu investir sua carreira, pagando-lhe cursos de canto e dicção e, ainda encaminhando-a para todas as rádios e gravadoras. Este esforço não foi em vão. Logo veio a gravar seu primeiro disco.Carmen Miranda era uma mulher baixinha...alguma coisa por volta de 1m 53. Em função de sua pouca estatura gostava de usar aqueles saltos enormes, plataformas mesmo de tão altos. Por causa disso o radialista César Ladeira a batizou, carinhosamente, de “ A pequena notável”.No final da década de 30 já estava contratada como artista exclusiva do Cassino da Urca. Cantava os melhores compositores da época, como Assis Valente e Ary Barroso. Junto com o conjunto Bando da Lua, cantava a música “O que é que a baiana tem” quando foi vista por Lee Schubert, empresário americano de muita influência na Broadway. Esse contato rendeu a Carmen o ingresso no universo artístico norte-americano. Seu sucesso foi absoluto. Não tardou a ser chamada para fazer um filme em Hollywood. Outro sucesso. Seis meses depois de ter chegado na meca do cinema mundial foi convidada a deixar as marcas de suas mãos, pés e o seu autógrafo registrados na consagrada “ walk of fame”. Era uma consagração nunca vista por uma artista brasileira fora do Brasil. Carmen tinha alcançado o topo de sua carreira. Era reconhecida dentro e fora do Brasil. E no exterior estava no mesmo patamar das maiores estrelas internacionais. Mas todo esse sucesso tem um preço e Carmen sentiu no corpo o cansaço e o esgotamento que tantos compromissos acarretaram. Volta para o Brasil em dezembro de 1954. Fica reclusa no Copacabana Palace Hotel durante quatro meses. Mas as suas obrigações com produtores americanos a obrigam a voltar para os estados Unidos. Durante um desses compromissos, teve um discreto desmaio. Poucos perceberam. Voltou para sua casa em Beverly Hills onde recebeu alguns amigos. A última pessoa que deixou a casa saiu às 3 e 30 da manhã. Foram as últimas pessoas a verem Carmen Miranda com vida. Foi encontrada morta logo depois. Era o dia 5 de agosto de 1955. Carmen morria aos 46 anos de idade.Aquela mulher pequena , com bananas equilibradas na cabeças e sapatos de saltos plataforma deixou de ser uma cantora de renome internacional e virou um mito. Nunca nenhum brasileiro chegou tão longe em sucesso e fama como ela. Era realmente uma pequena notável....

A VIDA DE CHACRINHA

José Abelardo Barbosa de Medeiros, ou simplesmente Chacrinha, foi um dos apresentadores mais renomados da televisão brasileira, responsável pela popularização do veículo como meio de comunicação de massa. Nordestino, começou sua carreira no rádio em 1939. Em 1956, levado à televisão, o "Velho Guerreiro", como também era conhecido, ou o "Palhaço do Povo", como ele mesmo se definia, criou um inovador e irreverente programa de calouros, que se tornou popular no país inteiro e projetou grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB). Autor de inesquecíveis frases, como: "Quem não se comunica se trumbica" e "Eu vim para confundir, não para explicar"; e das perguntas: "Vocês querem bacalhau?" e "Vai para o trono ou não vai?", misturava em seu trabalho descontração e alegria, ironia e irreverência. Passou pela TV Tupi, Rio e Bandeirantes, com os programas Discoteca do Chacrinha, Buzina do Chacrinha e Cassino do Chacrinha, sempre acompanhado das famosas chacretes. Na Rede Globo, com A Hora da Buzina, graças à sua capacidade de improvisação e de entretenimento, era líder de audiência nas tardes de domingo. Vestido de forma bizarra, com uma buzina pendurada ao pescoço, que utilizava quando o calouro cometia algum deslize, e em meio a uma sonoplastia de sons de animais e panelas, atirava bacalhau à platéia e oferecia abacaxi como prêmio ao cantor que se revelasse talentoso. Em 1987, foi homenageado pela Escola de Samba Império Serrano, com o tema Com a Boca no Mundo, Quem Não se Comunica se Trumbica.